Startup bombando mesmo com a crise. Qual é o segredo?

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O conceito de uma startup : empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras.

Surpreendemente a grande maioria das startups vai muito bem mesmo a crise sendo o fator principal de dificuldades nas empresas.
A crise econômica, dizem os especialistas, pode ser mesmo um momento de oportunidade para as startups. A explicação é simples: essas empresas “em início de carreira” oferecem soluções mais baratas e eficientes para problemas reais de consumidores ou de grandes companhias. Por isso, a maior parte desses empreendedores vê a crise como um “celeiro de oportunidades”, clichê repetido à exaustão entre os profissionais da área.

A Get Ninjas, por exemplo, plataforma de contratação de serviços variados, dobrou seu faturamento em 2015, chegando a R$ 120 milhões. Na ContaAzul, software de gestão financeira para empresas, a quantidade de clientes aumentou 50% no primeiro semestre deste ano, e na novata Vaniday, de agendamento online de serviços de beleza, o faturamento se manteve 50% maior a cada mês em 2015. “Vários salões fecharam neste ano, e os que estão em pé se agarram a parcerias como a nossa para crescer. Em grande parte dos salões [que atendemos], já representamos mais de 30% do faturamento”, diz Cristiano Soares, CEO da Vaniday.

Startup crescendo e fazendo história

Negócios como esses se multiplicam pelo Brasil há pelo menos quatro anos. Segundo a Associação Brasileira de Startups, já são 4.183 em atividade no país, número que cresceu 30% entre março e dezembro de 2015 em relação ao ano anterior. E mesmo em tempos de instabilidade econômica e política, essas empresas seguem a plenos pulmões.

Só mesmo uma “catástrofe econômica” seria capaz de brecar o setor, atualmente já mais maduro e consolidado no Brasil, diz o presidente da ABStartups, Amure Pinho. “As startups que antes eram aqueles coletivos de empreendedores de garagem, inovadores de faculdade, hoje fazem parte do nosso dia a dia nos aplicativos que conectam a tecnologias e serviços que, se antes eram muito mais difíceis e caros, hoje são uma realidade na vida das pessoas”, diz.

Entretanto, o empurrãozinho dos investidores, sejam privados, sejam governamentais, continua sendo fundamental para que as ideias saiam do papel. “O acesso a capital no Brasil ainda é restrito, e ainda é esperado do empreendedor brasileiro fazer muito com pouco”, afirma. “De 2011 para cá muita coisa foi construída: o empreendedor consegue criar um negócio, se associar a uma aceleradora, receber aporte financeiro, mas ainda estamos a anos-luz de distância do que seria um processo maduro.”

O Start-Up Brasil, por exemplo, não tem novas turmas desde 2015. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações diz que há previsão para novas chamadas ainda neste ano, mas não especifica data.

Ainda não é possível prever com clareza se algumas medidas do governo para enxugar as contas públicas serão capazes de jogar um balde d’água no movimento. Uma delas, recente, foi o corte de 20% nas bolsas de iniciação científica para alunos do ensino médio e da graduação.

As universidades federais também podem sofrer cortes de até 45% nos investimentos previstos para 2017, o que as deixaria com aproximadamente R$ 350 milhões a menos do que neste ano. “Sem pesquisa nas universidades, a probabilidade de aparecerem inovações a médio prazo é muito menor, e diversas startups de sucesso vêm de tecnologias criadas por empreendedores em sua vida acadêmica”, afirma Yuri Gitahy, investidor e fundador da Aceleradora, uma das primeiras empresas desse gênero no Brasil.

De qualquer modo, começar uma startup no país “já foi mais difícil”, segundo o CEO da Prodeaf, Renato Kimura, uma vez que, com a evolução do mercado, surgem também novas iniciativas de empresas dispostas a investir em projetos de inovação, principalmente porque sabem que podem se beneficiar dessa relação. Hoje, ele atende gigantes como Bradesco e Telefônica: “Até pela crise, essas companhias têm nos procurado bastante, já que não têm a capacidade de evoluir tanto alguns produtos na velocidade que gostariam”.

Fonte: Revista Galileu