Capacidade de inovar é a base para vencer corrida contra robôs

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Carros e caminhões autônomos que se deslocam sem motorista. Assistentes virtuais que atendem clientes de bancos. Aplicativos que dispensam intermediários para alugar imóveis. Supermercados onde não é preciso passar pelo caixa.

Tecnologias como essas podem facilitar a vida de empresas e clientes, mas têm o efeito colateral de acabar com uma série de postos de trabalho. É algo que já vem acontecendo desde a Revolução Industrial, mas a rápida evolução da inteligência artificial trouxe de volta os temores de um possível desemprego em massa na era da automação.

Segundo estimativas, as máquinas podem substituir um terço dos empregos em cerca de dez anos. Funções mecânicas, com tarefas repetitivas e que seguem padrões, estão entre as mais suscetíveis.

Há quem discorde de previsões apocalípticas. “É impossível a inteligência artificial substituir um terço dos empregos. Há mais de 3 bilhões de pessoas empregadas no mundo, seria um desastre econômico”, diz John-David Lovelock, vice-presidente de pesquisas da consultoria Gartner.

A inteligência artificial não dá conta de realizar todas as tarefas que esses trabalhadores fazem e, em muitos casos, isso não é economicamente viável, segundo ele.

Para Lovelock, tarefas mais automáticas serão, de fato, substituídas por máquinas, mas, em poucos anos, também serão criados postos ligados às novas tecnologias.

Fernando Madani, coordenador do curso de engenharia de controle e automação do Instituto Mauá, não acredita no desaparecimento total da maioria das profissões. “Alguns cargos de apoio vão ser mantidos para gerenciar dificuldades, tomar decisões. Acho difícil zerar a necessidade do ser humano.”

Outra ponderação é que muitas funções que devem ser substituídas por máquinas são desgastantes e até perigosas. “Muitas empresas percebem a robotização como uma oportunidade não só de melhorar sua produtividade, mas de destinar funcionários para funções mais criativas”, diz Oliver Kamakura, sócio de consultoria em gestão de pessoas da Ernst & Young.

Quem trabalha em uma área que pode enfrentar redução na demanda deve se adiantar às mudanças, diz Irene Azevedoh, diretora de Transição de Carreira e Gestão da Mudança da Lee Hecht Harrison: “O caminho é estar de olho no futuro, analisando o que pode afetar a sua carreira e o que você tem que aprender para dar o próximo passo”.

Segundo um estudo da consultoria PwC feito no Reino Unido, o risco de ser substituído por um robô cai de 46% para quem tem o ensino médio incompleto para 12% para quem tem nível universitário. “O fator-chave de diferenciação é a educação”, diz o texto.

Buscar mais conhecimento, universitário ou não, é uma dica para não ficar para trás. E, já que não dá para competir com as máquinas na rapidez de operações mecânicas, o melhor é aprimorar competências como criatividade e capacidade de inovar.

“Não adianta só investir em habilidades relacionadas à tecnologia. Tem que aprender a trabalhar com colaboração, empatia, entender o que os clientes precisam”, diz Kamakura.

5 PROFISSÕES EM RISCO

Operador de telemarketing

Já usados por algumas empresas, os chatbots (assistentes virtuais) devem se tornar cada vez mais comuns para o atendimento ao público, dispensando humanos nessa tarefa

Corretor de imóveis

Sites e aplicativos que conectam donos de imóveis a interessados dispensam intermediários. Tecnologia de realidade virtual permite conhecer imóveis sem visitá-los. Segundo estudo da Universidade de Oxford, a chance de essa profissão ser automatizada é de 97%

Motorista

Carros e caminhões autônomos estão saindo da fase de testes e ganhando as ruas e estradas. Motoristas de táxi, Uber e caminhão devem deixar de ser necessários em algum tempo

Operador de caixa

Clientes de bancos e supermercados já conseguem fazer pagamentos e outras operações sem passar por um caixa. A tendência é que a função seja cada vez mais automatizada

Árbitro
A Copa da Rússia terá pela primeira vez o sistema de árbitro de vídeo (VAR). Será apenas um suporte ao juiz, mas a tendência é que a tecnologia substitua progressivamente o ser humano na apuração de resultados no esporte.

Fonte: Folha de São Paulo